OMExpo Latino 2010 – Palestra Ruy Carneiro

Este é um resumo da palestra “Alinhando Métricas as suas Estratégias Digitais”, realizada na OMExpo Latino 2010 em 20 de maio, por Ruy Carneiro, sócio da WA Consulting.

Abaixo a apresentação (slideshare) e o texto explicativo:

Resumo: A palestra aborda a utilização das ferramentas de Web Analytics não somente para a análise de captação de visitantes e de campanhas, mas também para alinhar sua estratégia corporativa as suas ações digitais através da criação de uma cultura de Web Analytics na empresa.

Dados na nossa vida, na nossa empresa e na internet

Todos nós necessitamos de dados desde as tarefas mais simples do nosso dia-a-dia, como saber se precisamos pegar um casaco, usando os dados de temperatura. Mas estes dados para se transformarem em informação  necessitam ser analisados dentro de um contexto (em São Paulo, 15 graus pode significar que preciso de um casaco, porém se eu fosse um morador de Moscou pode ser que eu saísse de camiseta!) para que se possa tomar as decisões que necessárias. Este processo do nosso
dia-a-dia: “dados” > “análise” > “informação” > “ação”,  já faz parte de nossa cultura e o realizamos naturalmente.

Na grande maioria das empresas isso também ocorre em diversas áreas como planejamento estratégico, finanças, fabricação, logística, etc. A cultura de análise de dados para tomada de ações faz parte da cultura empresarial, mas porque  isso não ocorre da mesma maneira com os dados que coletamos na Internet? O excesso de dados e a falta de processo de análise é um dos culpados destas análises não fazerem parte da cultura das empresas, mas não é o único.

Porque as empresas devem se importar com isso?

Qualquer análise de dados permite diminuir o risco nas decisões tomadas e  as análises geradas a partir da interação da empresa com seus clientes ou visitantes geram também  informações para:

  • Conhecer melhor seus clientes;
  • Alocação eficiente de recursos;
  • Responder as mudanças mais rapidamente;
  • Identificar novas oportunidades;
  • Melhorar a eficiência, através da melhoria de processos;
  • Entender a efetividade de seu marketing digital (display, Email, mídia social, aplicativos, etc…).

Mas para que se possa aproveitar tudo isso ao máximo, é necessário que se olhe para a área de Web Analytics  muito além de apenas produto/serviço.

Web Analytics como ferramenta

A própria definição da  WAA – Web Analytics Association  mostra a área de Web Analytics como um processo, mas é interessante conhecer o que se pode fazer para compatibilizá-la às suas necessidades de informação. Alguns exemplos de ferramentas/serviços de Web Analytics:

Os sistemas citados são parte de um escopo maior de ferramentas para auxiliar as empresas a entender melhor o relacionamento com seus clientes e não somente na área digital. Além disso, é possível integrá-los a outros sistemas como CRM (Customer Relationship Management), DW/DM (Data Warehouse/Data Mart), BI (Business Inteligence) ou outros de sua empresa.

Hoje as empresas estão mais preocupadas em ter seus sistemas bem implementados do que em saber se são o que necessitam, e se os dados coletados vão servir para gerar as informações de negócios que querem. O próprio Google que possui o Google Analytics, que de acordo com o ”Estudo do Mercado de Web Analytics 2010” é o serviço mais utilizado no Brasil, também possui mais dois produtos pagos para satisfazer as necessidades que o Google Analytics não consegue atender:

  • Analytics In a Box, um sistema de coleta de dados tipo “packet-sniffing”;
  • Urchin, com um sistema de coleta de dados tipo “leitor de log”

Mas as empresas ainda vêem Web Analytics somente como uma ferramenta, e se preocupam somente com suas “Métricas Básicas“!

Web Analytics como sistema

Quando olhamos para a área de Web Analytics como um sistema, primeiro nos preocupamos com que tipo de informação necessitamos para entender se estamos no caminho certo (Objetivos Estratégicos). Para isso o primeiro passo é a realização do planejamento, que irá orientar desde a implementação e a análise, e deve ser considerado o primeiro passo para a criação de uma cultura de métricas dentro de uma empresa.

É neste planejamento que serão feitas as adequações dos dados que serão coletados e as necessidades de informação da empresa para poder auxiliar na tomada de decisões. Não somente quais os dados que devem ser coletados, mas quem os deve receber, quais os objetivos estratégicos da empresa e como definimos o sucesso na nossa estratégia, seus objetivos e seus índices chaves de processos (KPI´s). Também é nesta fase que vemos quais os tipos de grupos de clientes, clusters, que a empresa trabalha e como entendemos em que ponto os visitantes passam a se tornar clientes, a famosa conversão.

Este levantamento é fundamental para que se possa definir o método de coleta de dados a ser utilizado (leitor de log, inclusão de códigos nas páginas do site ou um packet sniffing), se o web analytics deve ser o gratuito ou o pago, e as customizações que devem ser feitas. Com isso pode-se garantir dados confiáveis para que se inicie o chamado “Ciclo WA”, que permite que  os dados sejam coletados, analisados e transformados em informações.

Mas somente isso não é o suficiente, já que a web permite que se possa fazer testes A/B e Multivariáveis rapidamente, é possível entender se é melhor, por exemplo, um cadastro longo ou quebrá-lo em partes, a partir da ótica de nossos visitantes. Isso possibilita um site sempre eficiente e ao gosto de seus visitantes. Como é um ciclo, isso não tem mais fim e sempre deverá ser melhorando para estar sempre a frente da concorrência. É o que faz com maestria a “Amazon”.

Uma dica para que se possa tirar o máximo proveito de suas análises é dividi-las em partes de acordo com o chamado “Ciclo de Vida do Cliente“, possibilitando  entender cada passo dos visitantes até torná-los clientes e os fidelizar. Hoje as empresas estão mais preocupadas em trazer visitantes para seus sites do que em fidelizá-los, mas a fidelização do cliente é uma tendência irreversível.

Web Analytics como cultura

Mas é necessário crescer além deste ponto e internalizar estes conceitos nas empresas, para que sejam utilizados nos processos decisórios. Este é um caminho que se inicia, mas que dificilmente consegue crescer sem o apoio de uma consultoria especializada e, principalmente, da alta direção da empresa, muitas vezes por falta de treinamento especializado não somente na ferramenta, mas em todos os pontos do processo de Web Analytics.
Este processo pode durar alguns anos para ser totalmente internalizado e para que se chegue até o nível 5, onde as métricas já fazem parte do dia a dia.
Ele se inicia de maneira intuitiva com as empresas olhando as métricas básicas que são fornecidas e tendo uma visão muito mais voltada a TI do que a negócios. Ao sentir que podem tirar mais proveito destes dados, começam a fazer análises e testes mais básicos para entender melhor o comportamento do visitante e com isso, a utilização para análise de marketing é quase uma passagem normal. O Nível 4 é mais complicado para se passar, pois prevê que a empresa tenha ferramental para personalização do site e entenda os conceitos de multicanal e valor do cliente no tempo. Após este entendimento chega-se a fase 5, onde, ai sim, as métricas estão integradas ao dia-a-dia tornando-se parte do planejamento estratégico, não somente do digital, e é utilizada como parte da avaliação dos executivos.

O processo de Web Analytics não é, como alguns podem imaginar, um grande dedo-duro das ações que deram errado ou uma camisa de força, como outros já reclamaram, para emperrar processos. Entendendo este processo cria-se uma cultura de aprendizado e de testes para que se tenha mais sintonia com os clientes e com o mercado, assim suas rotas podem ser adequadas e corrigidas em função de sua estratégia e objetivos. E ao chegar nesta última fase percebe-se que o cliente muda, e tem mudado em períodos de tempo cada vez mais curtos, e a internet passa a ser um instrumento de constante aprendizado para que se possa entender estes incansáveis mutantes.

Ao se entender o processo de aprendizado, passa-se não somente por uma “Mudança de Cultura” dentro da empresa, mas para uma “Cultura de Mudança” contínua, com foco em atender melhor o cliente e estar sempre à frente dos concorrentes.

Conclusão

Isso tudo que foi apresentado já é uma tendência mundial, porém no Brasil as empresas precisam entender que necessitam investir em ferramentas que possam trazer os dados necessários, investir em pessoal especializado e treinamento para eles, e que há a necessidade de estruturas específicas para tirar o maior proveito destes dados.

As empresas passam também a entender que a fidelização de seus clientes é tão ou mais importante que ficar convidando mais e mais pessoas para conhecer a sua empresa, diminuindo a importância do último clique para valorizar mais o cliente – “Engagement”.

Mas tudo isso é irrelevante se os executivos não virem o valor das análises e comprarem a idéia de que é preciso plantar para poder colher.

Como já disse nosso amigo Gil Giardelli: “Não podemos usar velhos mapas para descobrir novas terras!”

Até o próximo post!

Se você ainda não leu a carta aberta do Eric Peterson para o Steve Jobs sobre a Seção 3.3.9 do “iPhone Developer Agreement”, vale a pena dar uma olhada:

Carta Aberta a Steve Jobs

Ela estabelece o banimento de aplicações de coleta de dados de terceiros, ou seja, lá se vai a possibilidade da melhoria de processos e da compreensão do comportamento dos visitantes.

Os desenvolvedores de aplicações somente poderão utilizar as ferramentas de programação da Apple, e por não serem compatíveis, acabam impossibilitando o funcionamento da maioria das ferramentas de Web Analytics hoje disponíveis no mercado, como: Omniture, Webtrends, Coremetrics, Unica, Google Analytics, Yahoo Web Analytics, entre outras…

Abaixo o texto original da polêmica Seção 3.3.9:

“3.3.9 The following requirements apply to You and Your Application’s use, collection, processing, maintenance, uploading, syncing, storage, transmission, sharing and disclosure of User Data:

  • All use of User Data collected or obtained through an Application must be limited to the same purpose as necessary to provide services or functionality for such Application. For example, the use of User Data collected on and used in a social networking Application could be used for the same purpose on the website version of that Application; however, the use of location-based User Data for enabling targeted advertising in an Application is prohibited unless targeted advertising is the purpose of such Application (e.g., a geo-location coupon application).
  • You may only provide or disclose User Data to third parties as necessary for providing services or functionality for the Application that collected the User Data, and then only if You receive express user consent. For example, if Your Application would like to post a message from a user to a third party social networking site, then You may only share the message if the user has explicitly indicated an intention to share it by clicking or selecting a button or checking a box that clearly explains how the message will be shared.
  • Notwithstanding anything else in this Agreement, Device Data may not be provided or disclosed to a third party without Apple’s prior written consent. Accordingly, the use of third party software in Your Application to collect and send Device Data to a third party for processing or analysis is expressly prohibited.
  • You must provide information to users regarding Your use and/or Transmission of User Data and explain how Your Application will use User Data, e.g., by providing information in the App Store marketing text that accompanies Your Application on the App Store, by adding an About box within Your Application, or by adding a link to Your privacy policy on Your website.
  • You and the Application must take appropriate steps to protect any User Data from unauthorized disclosure or access. If a user ceases to consent to Your use and/or Transmission of User Data, You must promptly cease all such use and/or Transmission and destroy any such information from Your records (except to the limited extent necessary for Your Application back- ups and record-keeping or as otherwise prohibited by law).”

Em função disso, a Apple, motivada pela batalha travada com outros fabricantes de celulares, em especial os que usam o sistema Android do Google, corre o risco de que os desenvolvedores passem a escrever seus aplicativos para outras plataformas.

É uma pena! Esperamos que a Apple mude sua maneira de pensar neste caso e volte atrás.

Até o próximo post!

Há muito a internet deixou de ser uma mídia de nicho, no Brasil somos mais de 60 milhões de pessoas que acessam a internet de seus lares, no trabalho, em lan-houses, na escola ou pelo celular. Estas pessoas conectadas estão lendo noticias, jogando, assistindo vídeos, escutando musicas, comprando e se relacionando com nossas marcas. E o que as empresas, donas destas marcas, estão fazendo? Procurando atrair as pessoas para seus sites ou comunidades através de campanhas mais marcantes, se posicionando em sites de busca, melhorando o visual de seus sites e procurando conversar com estas pessoas nas redes sociais.

Mas o que realmente funciona e onde devemos investir nossos recursos para ter um retorno melhor para nossas marcas? Aqui é que entra o ecossistema de métricas que chamamos de Web Analytics, e aqui não falo somente das ferramentas como o Google Analytics, Omniture, AT Internet, Coremetrics, WebTrends, ou qualquer outra, mas sim de todo o complexo mundo de medição e pesquisa que tivemos que criar para entender todas as pessoas que se relacionam com nossas empresas. Deixar de nos preocuparmos se a quantidade de visitantes aumentou ou se o tempo de permanência no site diminuiu, e sim ir além disso, procurando entender as nuances de cada tipo de público que queremos ter contato.

O que se vê hoje é uma preocupação com a aquisição de novos “visitantes” para que possamos conversar, não nos incomodando se é o público que queremos, se eles estão contentes com a experiência que tiveram com nossos web sites, se nossos processos facilitam ou não a vida destas pessoas, ou mesmo se estamos investindo nossos recursos nos locais certos e se estamos tendo retorno sobre este investimento feito. É como organizarmos uma festa e nos preocuparmos em chamar o maior numero de pessoas, sem nos arrumarmos para ter bebida, comida e lugar para todos, alguns, se não muitos, irão sair descontentes desta experiência e, sem dúvida, irão comentar isso com outras pessoas. Pronto, a marca, que por tantos anos fizemos um trabalho excepcional para estar na mente e no coração de nossos clientes, esta por um fio. E isso vale não somente para empresas que lidam com o consumidor final, mas também para organizações governamentais, organizações não-governamentais ou mesmo para empresas que se relacionam com outras empresas (B2B), afinal estes relacionamentos são feito por pessoas em nome de seus empregadores.

Mas o que temos nas mãos para que possamos melhorar nossos processos, entender nossos clientes e melhorar o retorno do investimento realizado? Temos um arsenal de serviços que podem nos auxiliar nesta tarefa cada dia mais difícil que é manter a sintonia com o comportamento do nosso consumidor que muda em períodos cada vez mais curtos.  Este arsenal conta com Pesquisas de painel como IBOPE Nielsen Online, comScore, AdPlanner e a HitWise; serviços de Ad´Serving, como Open AdStream, Atlas, Unicast, Google Double Click, Google Ad Manager, EyeBlaster ou AdMotion, que nos mostra como esta a nossa campanha de divulgação; serviços que acompanham nossas campanhas nos buscadores, como os fornecidos pelo Google, Yahoo, pelos próprios fornecedores de SW de Web Analytics, entre outros; e temos serviços de pesquisa que nos mostram o que ocorre com nossas marcas nas mídias sociais. Tudo isso somente para entendermos o que ocorre com os nossos clientes e nossa marca antes mesmo de uma visita ao nosso site.

Entender o que se passa em nosso site é outra história, mas estão intimamente relacionadas com a fase de aquisição, é entender mais do que a quantidade de páginas vistas, numero de visitantes ou métricas isoladas que não consegue nos mostrar uma visão que nos permita melhorar continuamente. Entender se estamos trazendo um público qualificado, o público que realmente queremos ter contato, e o que o motiva a nos procurar é somente o primeiro ponto a ser trabalhado.

Até o próximo post!

WAW-SP Março de 2010

Este WAW-SP (Web Analytics Wednesday – São Paulo) marca o inicio das atividades do ano de 2010, será realizado no dia 03 de março as 19:45hs, na Faculdade Impacta de Tecnologia à rua Arabé, 71 – Vila Clementino – São Paulo – SP.

A agenda do evento será:
19:45hs – Recepção
20:00hs – Palavra da Organização
20:15hs – Palestra - Inovação com Gil Giardelli
21:45hs – Encerramento

Inscrição - http://www.webanalyticsdemystified.com/wednesday/list.asp?event_id=3018

Sobre o WAW:
Este evento foi criado por Eric T. Peterson nos EUA e se transformou em um evento mundial acontecendo todos os meses em várias cidades no mundo. No Brasil temos o WAW-SP desde Setembro de 2007, e contamos ainda com o evento WAW-RJ.

O evento é gratuito e serve para que os profissionais de métricas possam ficar antenados com o que ocorre no mundo, temas relevantes como Métricas, Técnicas de Mensuração, Softwares de Web Analytics, Mobile, Midia Social, entre outros são abordados e discutidos no encontro.

O encontro tem o apoio do Comitê de Web Analytics do IAB-Brasil, do Grupo de Discussão de Web Analytics e da Faculdade Impacta de Tecnologia. A organização do evento é feita pela WA Consulting.

Até o próximo post!

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Em Dezembro de 2009 o Google lançou mais uma forma de coleta de dados para análises, até hoje estava disponível a coleta de dados via Log File com o Urchin e a coleta de dados com a tag de java script do Google Analytics. Agora temos mais uma maneira de fazer a coleta através da técnica conhecida como “packet-sniffing” através do “Analytics in a Box” ou AIB em parceria com a Coradiant.

O AIB utiliza uma versão modificada do Urchin 6, em conjunto com tecnologias complementares da Coradiant para podermos ter novas formas de olhar tanto para o tráfego de seu site como para o desempenho do seu site/servidor.

Packet-Sniffing

Este sistema é parecido com os leitores de logs do ponto de vista que não há a necessidade de se implementar códigos de programação nas páginas do site, na realidade este serviço coleta as informações através de um equipamento instalado entre o Web Server e o “Firewall”, através da coleta de todos os pacotes de informação que são trocadas entre o browser do visitante e o web Server, este sistema processa estas informações e cria relatórios.

Até o próximo post!